O TRISTE DESTINO DO MONUMENTO COMEMORATIVO AO CENTENÁRIO DA IMIGRAÇÃO ALEMÃ EM SANTA CATARINA - São Pedro de Alcântara

O TRISTE DESTINO DO MONUMENTO COMEMORATIVO AO CENTENÁRIO DA IMIGRAÇÃO ALEMÃ EM SANTA CATARINA

 

Antes de abordar o assunto gostaria de esclarecer que o texto que escrevo é um resumo de fatos que vivenciei  e, sobretudo, de  informações  a  mim repassadas pelo Sr. Longino Clasen ( hoje com noventa anos de idade).

Segue o texto:

Quem hoje visita o município de São Pedro de Alcântara pode observar em sua praça central três monumentos. Um pequeno obelisco onde constam algumas placas comemorativas e a relação dos sobrenomes dos primeiros  germânicos que vieram para Santa Catarina ; Uma pedra bruta onde há uma placa comemorativa ao centenário da imigração alemã em SC; e o monumento que representa uma das primeiras famílias germânicas que aqui chegaram.

Pois, no ano do centenário da imigração alemã em SC (1929) realizou-se um grande evento cultural e festivo para comemorar a data.

O festejo foi realizado parte na praça central de São José ( onde hoje é o Centro Histórico) e parte na praça central de São Pedro de Alcântara e igreja matriz. Há inclusive parte de um filme mudo em preto e branco que mostra um pouco do evento.

Na oportunidade inúmeras autoridades  nacionais, estaduais , municipais e internacionais participaram do evento.

Na ocasião dois pontos seriam de importância ímpar , a inauguração da Igreja Matriz de São Pedro de Alcântara e  a inauguração do Monumento em Comemoração ao  Centenário da Imigração Alemã em SC.

Mediante muita alegria, discursos e festejos  comemorou-se em 1929 o centenário da imigração alemã.

Passado o evento os alcantarenses ( e todos os catarinenses) ha viam deixado sua justa homenagem àqueles que construíram , através de muita luta, suor, sofrimento e perseverança um Brasil melhor.

O monumento em Comemoração ao Centenário da Imigração Alemã foi construído pela empresa Marmoraria Hass de Blumenau ( há um belo relato com fotos e escrito no idioma alemão pelo Sr. Mathias Hass , fundador da empresa, sobre a construção do mesmo).

O monumento era composto  por uma grande pedra colocada sobre degraus de granito e cercada por grandes correntes de ferro. Na grande pedra  foi colocada uma placa comemorativa  que em uma de suas partes tinha um texto escrito no idioma alemão e traduzido para o idioma português. 

Pois, durante a Segunda Guerra Mundial, durante a Campanha de Nacionalização de Getúlio Vargas ( Nereu Ramos) o pequeno e rural Distrito de São Pedro de Alcântara, que nunca recebeu a devida atenção das  autoridades nacionais e estaduais ( em termos de educação, saúde...) desta vez foi considerado prioridade.  Escolas fechadas, documentações apreendidas, pessoas silenciadas e humilhadas; O MONUMENTO DESTRUÍDO.

Tão belo e significativo monumento foi totalmente destruído pela ignorância daqueles que muito pouco sabiam da história referente à primeira colônia alemã; se quer sabiam ler e escrever no idioma alemã. Para àqueles carrascos tudo que era alemão era Nazista.

Da perseguição feroz  se fez pó ( pois suas pedras foram picadas) o monumento ao centenário.

A placa teve sua parte escrita no idioma alemão retirada e foi confiscada e levada ao Quinto Distrito Naval em Florianópolis .

Finda a Segunda Grande Guerra Mundial  mesmo tendo sofrido tantos horrores e dissabores o povo alcantarense não esqueceu de seu monumento e sua placa.

“Baixada a poeira”, após transcorridos muitos anos após a guerra, os alcantarenses conseguiram reaver a tão estimada placa comemorativa. Os dizeres no idioma alemão não mais faziam parte da mesma; em seu lugar ficara um buraco, um vazio.

Tristemente, mas com a determinação de seus ancestrais, os dizeres no idioma alemão foram refeitos e recolocados . Para não deixar vestígios do corte realizado pelos agressores colocou-se um filete na linha onde ficara visível o corte .

A placa refeita foi colocada no pequeno obelisco,  e caso encerrado .

Por muitos anos ninguém tocou mais no assunto. Só os mais antigos sabiam, mais silenciavam o caso.

Quando de uma reforma ao pequeno obelisco , conversando com o Sr. Longino Clasen, ele relatou o ocorrido.

De momento não acreditei que tal brutalidade pudesse ter sido realizada com gente tão trabalhadora e pacífica .

Então, o Sr. L ongino me disse: “ Olha atrás da placa onde está escrito no idioma alemão”. Ali havia um rebaixo e em sua frente um friso ( uma pequena moldura) para recobrir um corte.

De forma justa a administração municipal da época, depois de sensibilizada sobre os fatos ( porque também os desconhecia) reconstruiu uma réplica do monumento e recolocou a placa em seu lugar de

A pedra  central é muito semelhante a que outrora havia ( e quem me disse onde encontrá-la foi o Sr, Longino Clasen que conheceu o monumento destruído) .  As outras partes do monumento são bastantes semelhantes , pois não foram colocadas as correntes ( e não tínhamos em nossos arquivos o relato e as fotos do Sr, Mathias Hass, que nos foi doada anos depois).

Quem quiser confirmar o caso é só olhar a parte de trás da placa no atual monumento.

Muito me perguntei o motivo dos alcantarenses nunca falarem sobre esse e tantos outros fatos de perseguição e opressão durante a segunda guerra. Havia me esquecido do orgulho alemão.

 

Daniel Silveira

Pedagogo

Engenheiro agrônomo.

Neto de Vó Schlichting e Bisavó Knabenn